Anvisa amplia indicação do Enhertu para pacientes com câncer de mama HER2-positivo

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez
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Nova aprovação abrange pacientes com doença residual após tratamento neoadjuvante e pode reduzir o risco de recidiva em casos considerados de difícil manejo.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou, na segunda-feira, 6 de julho, uma nova indicação terapêutica para o medicamento Enhertu, cujo princípio ativo é o trastuzumabe deruxtecana, já registrado no país para o tratamento do câncer de mama. Com a decisão, o medicamento passa a ser indicado também como terapia auxiliar para pacientes adultos com câncer de mama HER2 positivo que apresentam doença invasiva residual após o tratamento neoadjuvante realizado antes da cirurgia, informação divulgada pelo portal Legismap com base em dados oficiais da agência (https://legismap.com.br/conteudos/artigos-e-noticias/noticias-anvisa-em-06-07-2026).

Por que a doença residual após a cirurgia preocupa oncologistas

O tratamento neoadjuvante, ou seja, aquele realizado antes da retirada cirúrgica do tumor, costuma combinar trastuzumabe, associado ou não ao pertuzumabe, com quimioterapia baseada em taxanos. Mesmo com esse protocolo já consolidado na prática clínica, uma parcela relevante das pacientes não alcança o que os oncologistas chamam de resposta patológica completa, ou seja, o desaparecimento total de células tumorais identificáveis após a cirurgia. Essas pacientes permanecem com doença residual e, segundo dados citados pela reportagem, apresentam risco mais alto de recorrência do câncer ao longo dos anos seguintes ao tratamento inicial.

Esse cenário clínico é conhecido como uma necessidade médica ainda não plenamente atendida, expressão usada para descrever situações em que, apesar de existirem tratamentos disponíveis, uma parte significativa dos pacientes continua com risco elevado de evolução desfavorável da doença. Estima-se que até 25% das pacientes com doença residual apresentem recidiva do câncer de mama em até dez anos após o tratamento cirúrgico, o que ajuda a explicar por que a chegada de uma nova opção terapêutica para esse grupo específico é acompanhada de perto por especialistas em oncologia mamária.

O que a nova indicação representa para a prática clínica

Com a ampliação da indicação, o Enhertu passa a ser uma alternativa formalmente reconhecida pela Anvisa para tentar reduzir esse risco de recidiva em pacientes que já passaram por cirurgia e permanecem com doença residual identificada em exame anatomopatológico. Isso amplia o arsenal terapêutico disponível para oncologistas que acompanham esse perfil de paciente, um grupo que, até então, contava com opções mais limitadas após a falha em atingir resposta patológica completa com o tratamento neoadjuvante padrão.

Para os hospitais e clínicas oncológicas, a mudança regulatória também tem implicações práticas, já que a inclusão de uma nova indicação em bula tende a repercutir em protocolos institucionais, discussões em tumor boards e, eventualmente, em negociações sobre cobertura assistencial junto a operadoras de saúde e ao próprio SUS. Esse processo costuma levar algum tempo entre a aprovação regulatória e a incorporação efetiva do medicamento na rotina de diferentes serviços de oncologia pelo país, especialmente fora dos grandes centros urbanos.

Orientação para pacientes e familiares

É natural que pacientes em tratamento oncológico, ou seus familiares, se perguntem se a nova indicação se aplica ao próprio caso após uma notícia como essa. A resposta para essa dúvida depende de uma série de fatores clínicos individuais, como o estágio da doença, o resultado do exame anatomopatológico após a cirurgia e o histórico de tratamentos já realizados, e por isso só pode ser avaliada pelo oncologista responsável pelo acompanhamento de cada paciente. Este texto tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada.

Quem estiver em tratamento ou tiver dúvidas sobre elegibilidade para essa nova indicação deve levar a informação diretamente ao médico assistente, que tem acesso ao histórico clínico completo e pode avaliar se o Enhertu representa, de fato, uma opção adequada para aquele caso específico. Avanços regulatórios como esse tendem a ampliar as possibilidades de tratamento, mas a decisão terapêutica sempre passa por uma análise individualizada, que considera riscos, benefícios esperados e as particularidades de cada paciente.

Fontes:
Legismap: https://legismap.com.br/conteudos/artigos-e-noticias/noticias-anvisa-em-06-07-2026