Queda nas mortes por câncer de pulmão impulsiona redução da mortalidade por câncer nos Estados Unidos

Redação Diário Medicina
Por Redação Diário Medicina
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As taxas de mortalidade por câncer continuaram em queda nos Estados Unidos entre 2019 e 2023, tanto entre homens quanto entre mulheres. O principal fator associado ao resultado foi a redução mais acelerada das mortes por câncer de pulmão, apontada como um dos destaques do relatório anual sobre a situação da doença no país.

Divulgado em 22 de setembro de 2026, o levantamento foi elaborado em parceria pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), pelo National Cancer Institute (NCI), pela American Cancer Society e pela North American Association of Central Cancer Registries. O documento reúne dados de incidência e mortalidade e dedica uma análise especial ao progresso contra o câncer de pulmão ao longo do século 21.

Mortes por câncer de pulmão recuaram em ritmo mais rápido

Segundo os dados apresentados pelo CDC, a mortalidade geral por câncer caiu, em média, 1,6% ao ano entre os homens e 1,1% ao ano entre as mulheres no período analisado. No caso específico do câncer de pulmão, a redução anual média foi de 4,7% entre os homens e de 3% entre as mulheres.

O câncer de pulmão, contudo, continua sendo a principal causa de morte por câncer nos Estados Unidos. A doença também é o segundo tipo de câncer mais comum entre homens e mulheres no país, o que mantém seu impacto como uma questão relevante de saúde pública, mesmo diante da melhora dos indicadores.

O relatório relaciona a evolução a um conjunto de fatores, e não a uma única medida. Entre eles estão a redução do tabagismo, a ampliação da identificação da doença em estágios iniciais e o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes. A combinação entre prevenção, rastreamento, diagnóstico oportuno e acesso a terapias atualizadas aparece como elemento central para sustentar a tendência.

Mais diagnósticos em estágio localizado

Os dados do programa SEER, do National Cancer Institute, mostram que a proporção de diagnósticos de câncer de pulmão localizado aumentou entre 2003 e 2022. Entre os homens, a parcela de casos identificados nessa fase passou de 16% para 27%. Entre as mulheres, o percentual subiu de 19% para 33%.

A identificação em estágio localizado é importante porque amplia as possibilidades de intervenção antes que a doença avance para outras regiões do organismo. No mesmo intervalo, a sobrevida relativa em cinco anos para o câncer de pulmão aumentou de 15,1% para 30,1%. O indicador, porém, não significa que todos os pacientes tenham o mesmo prognóstico: os resultados podem variar de acordo com o tipo de tumor, o estágio, as condições clínicas e o tratamento disponível.

Para o controle da doença, o avanço do rastreamento precisa estar associado à indicação adequada para as pessoas elegíveis e à continuidade do cuidado. A prevenção do tabagismo e a manutenção de ambientes livres de fumaça também permanecem entre as estratégias destacadas pelas instituições responsáveis pelo relatório.

Incidência geral teve aumento discreto

Apesar da queda da mortalidade, o levantamento identificou um aumento discreto na incidência geral de câncer entre 2018 e 2022. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo aumento de novos casos de câncer de mama entre as mulheres e de câncer de próstata entre os homens.

Esse dado ajuda a diferenciar dois indicadores usados na vigilância da doença. A incidência representa o número de novos diagnósticos, enquanto a mortalidade corresponde às mortes atribuídas ao câncer. Assim, é possível observar redução das mortes mesmo quando determinados tipos de câncer apresentam crescimento no número de casos, especialmente quando há melhorias na detecção e no tratamento.

Entre crianças e adolescentes, as taxas de mortalidade por câncer continuaram em queda no período analisado. O relatório anual, disponível no National Cancer Institute, reúne esses resultados para acompanhar mudanças na ocorrência, na mortalidade e na evolução do cuidado oncológico nos Estados Unidos.

Prevenção e acesso continuam determinantes

Os resultados positivos não significam que o câncer de pulmão deixou de representar uma ameaça. A persistência da doença como principal causa de morte por câncer reforça a necessidade de ampliar medidas de prevenção, reduzir a exposição ao tabaco, identificar casos em tempo oportuno e garantir acesso a terapias atualizadas.

O cenário também evidencia que a redução da mortalidade depende da combinação entre políticas de saúde pública e assistência individual. A disponibilidade de rastreamento para pessoas elegíveis, a avaliação médica diante de sinais suspeitos e a oferta de tratamento podem influenciar o momento do diagnóstico e as chances de controle da doença.

O relatório foi produzido com base em dados de vigilância do câncer nos Estados Unidos e oferece um retrato da evolução recente dos indicadores. Para outros países, incluindo o Brasil, os números não podem ser aplicados diretamente, mas a experiência reforça a importância de integrar prevenção, diagnóstico precoce, registro de casos e acesso equitativo ao cuidado oncológico.

Fontes consultadas

CDC: Annual Report to the Nation; SEER/NCI: relatório anual sobre o câncer; e SEER/NCI: progresso contra o câncer de pulmão.