Pedalar depois dos 40 exige mudar a periodização, não parar

Clara Vossen
Por Clara Vossen
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Rolando Bonaccorsi

O ciclismo de estrada depois dos 40 anos aparece entre os temas que Rolando Bonaccorsi, Diretor de Operações da Vert Analytics, relata acompanhar com interesse, e a confusão mais comum nessa fase é tratar idade como limite absoluto. O corpo responde de outra maneira ao estímulo, com recuperação mais lenta e tolerância menor ao excesso, embora continue respondendo bem a treino planejado.

O erro mais frequente aparece justamente nos dois extremos. Rolando Bonaccorsi descreve dois caminhos igualmente improdutivos: o ciclista que mantém o mesmo volume da juventude até acumular lesão e o que reduz tudo a pedais leves e perde condicionamento. A saída está no meio, com estrutura diferente para o mesmo objetivo de performance e prazo mais longo para colher resultado.

A recuperação passa a integrar o plano de treino

Entre duas sessões intensas, o intervalo adequado tende a crescer com a idade, chegando a 48 ou 72 horas em muitos casos. O calendário semanal precisa refletir isso, porque treino forte aplicado sobre fadiga residual gera desgaste sem adaptação. Dia leve mal executado, em ritmo médio, estraga tanto o descanso quanto o estímulo seguinte. Pedalar devagar exige disciplina maior do que pedalar forte.

Sono e alimentação deixam de ser detalhe e passam a ser parte do plano. Conforme pondera Rolando Bonaccorsi, acompanhar sinais simples como frequência cardíaca de repouso, qualidade do sono e disposição nas primeiras pedaladas ajuda a decidir se o treino previsto deve ser mantido, reduzido ou trocado por descanso. Ignorar os sinais por três semanas seguidas costuma terminar em lesão ou resfriado.

Volume alto sem intensidade controlada estagna

Rolando Bonaccorsi sinaliza que muitos ciclistas experientes vivem presos na faixa intermediária, pedalando sempre em ritmo moderadamente forte. A zona é confortável o bastante para parecer treino e dura o suficiente para gerar fadiga, mas não entrega o estímulo de baixa intensidade nem o choque das séries curtas em alta potência. O resultado é um platô que resiste a qualquer aumento de volume.

Modelos polarizados organizam a semana de outra forma, com a maior parte do tempo em ritmo realmente leve e duas sessões de qualidade bem definidas. O desenho rende mais em ganho de limiar e preserva as articulações, porque concentra o desgaste em momentos planejados em lugar de espalhá-lo por todos os dias da semana. Treinar menos vezes forte permite treinar mais forte de verdade.

Força fora da bicicleta sustenta a potência

Perda gradual de massa muscular com o avanço da idade é processo bem conhecido, e trabalho de força responde bem a ele quando feito com regularidade. Duas sessões semanais com agachamento, levantamento terra, exercícios para glúteo e estabilização de tronco sustentam a potência no pedal, protegem a coluna nas saídas longas e reduzem o risco de lesão por sobrecarga repetida.

Rolando Bonaccorsi indica que a progressão precisa ser gradual, com carga pequena e técnica bem orientada no início. O ganho não aparece em uma semana, e sim ao longo de alguns meses de prática regular. Densidade óssea, equilíbrio e capacidade de gerar força em subida curta melhoram em conjunto, o que importa tanto para o esporte quanto para a vida fora dele.

Constância rende mais que semana heroica

Três meses de treino regular superam duas semanas de volume exagerado seguidas de pausa forçada por dor. Rolando Bonaccorsi frisa que o padrão de quem evolui depois dos 40 envolve carga previsível, aumento gradual e revisão periódica do plano, sem saltos motivados por entusiasmo de fim de semana ou comparação com outro ciclista.

Avaliação médica antes de retomar intensidade alta, atenção a dor persistente que não melhora com descanso e revisão do ajuste da bicicleta completam o cuidado necessário. Com este artigo, você encontra os critérios para ajustar a periodização sem abandonar a bicicleta, porque o problema quase nunca é a idade, e sim o plano desenhado para outra fase.