Inluriyo é indicado para tumores metastáticos já tratados por terapia endócrina; agência também liberou remédio não hormonal para menopausa.
Uma das notícias médicas de maior repercussão nas últimas semanas foi a aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, de um novo medicamento oral voltado ao tratamento do câncer de mama em estágio avançado. O registro chama atenção porque atinge diretamente o tipo de tumor mais comum entre mulheres brasileiras e amplia o arsenal terapêutico disponível para casos que já não respondem às abordagens convencionais. A dúvida mais frequente entre pacientes e médicos generalistas é entender quem pode se beneficiar dessa nova opção e em que ela se diferencia dos tratamentos já existentes.
Como funciona o novo medicamento aprovado
O produto aprovado é o Inluriyo, nome comercial do tosilato de inlunestranto, desenvolvido pela Eli Lilly do Brasil. Segundo a publicação oficial no Diário Oficial da União, a Anvisa aprovou o medicamento para pessoas em tratamento de câncer de mama por meio da Resolução nº 2.465/2026, com indicação para casos em estágio avançado que não podem ser removidos por cirurgia ou que já se espalharam para outras regiões do corpo, desde que a paciente já tenha passado por terapia endócrina anteriormente. A caracterização molecular do tumor é essencial para o uso do medicamento, já que ele foi validado para casos com receptor de estrogênio positivo, receptor HER2 negativo e mutação no gene ESR1, um perfil comum em tumores que desenvolvem resistência a tratamentos hormonais tradicionais.
Do ponto de vista prático, o grande diferencial apontado pela agência é a via de administração. Por ser um remédio de uso oral, sem necessidade de associação com outros medicamentos para a indicação aprovada, ele representa uma alternativa que pode simplificar a rotina de tratamento em comparação a terapias injetáveis ou infusões hospitalares. Essa característica tende a ter impacto direto na adesão ao tratamento, um dos maiores desafios em oncologia, principalmente entre pacientes que já enfrentam múltiplas linhas terapêuticas e efeitos colaterais acumulados ao longo do tempo. Costa Norte
O peso do câncer de mama na saúde da mulher brasileira
Para entender a relevância clínica da aprovação, é preciso olhar os números. De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer, foram registrados 73.610 casos de câncer de mama entre 2023 e 2025 no Brasil, o que representa 30,1% de todos os cânceres diagnosticados em mulheres no período. Esse volume mantém o câncer de mama como a neoplasia maligna mais incidente entre a população feminina brasileira, o que explica por que qualquer avanço terapêutico nessa área costuma gerar repercussão tanto entre especialistas quanto entre o público leigo.
Na mesma leva de aprovações, a Anvisa também liberou o fezolinetanto, comercializado como Veoz, uma terapia não hormonal em formato oral indicada para o tratamento de ondas de calor e suores noturnos associados à menopausa. Segundo o fabricante Astellas Farma, o processo de aprovação incluiu três ensaios clínicos de fase 3, com mais de três mil participantes distribuídos entre Europa, Estados Unidos e Canadá. O mecanismo de ação atua sobre um circuito cerebral relacionado à regulação da temperatura corporal, que perde estabilidade quando os níveis de estrogênio caem durante a menopausa, explicando por que sintomas vasomotores se tornam mais frequentes nessa fase da vida.
O que médicos e pacientes devem saber antes de buscar o tratamento
Como as duas aprovações têm indicações específicas e critérios clínicos bem delimitados, nenhuma delas substitui a avaliação individualizada feita por um oncologista ou ginecologista. A elegibilidade para o Inluriyo, por exemplo, depende de exames moleculares que identifiquem a mutação ESR1, o que só pode ser determinado por meio de biópsia ou teste genético específico solicitado pelo médico assistente. Da mesma forma, o uso do Veoz para sintomas de menopausa exige avaliação sobre histórico de saúde, uso de outras medicações e eventuais contraindicações.
Também é importante frisar que aprovação pela Anvisa não significa disponibilização automática pelo SUS ou por planos de saúde, processo que costuma envolver etapas adicionais de incorporação tecnológica e negociação de preços junto à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. Pacientes interessados devem buscar orientação direta com seus médicos para entender prazos de acesso e elegibilidade real ao tratamento.
As duas aprovações reforçam um movimento de ampliação do arsenal terapêutico brasileiro em áreas de alta relevância para a saúde da mulher, unindo oncologia e ginecologia em torno de avanços que já vinham sendo testados internacionalmente. Para quem já está em tratamento oncológico ou enfrenta sintomas intensos de menopausa, o próximo passo continua sendo a conversa direta com o especialista responsável, capaz de avaliar se os novos medicamentos se aplicam ao quadro clínico específico de cada paciente.
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