OMS amplia pré-qualificação de dispositivos médicos e inclui IA para triagem da tuberculose

Redação Diário Medicina
Por Redação Diário Medicina
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou, em 25 de setembro de 2026, a ampliação de seu programa de pré-qualificação de dispositivos médicos. A iniciativa passa a abranger produtos considerados essenciais para diferentes áreas da saúde, incluindo preservativos masculinos e femininos, dispositivos intrauterinos, equipamentos para circuncisão masculina e softwares de detecção assistida por computador voltados à triagem da tuberculose.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o programa avalia dispositivos com base em critérios internacionais de qualidade, segurança e desempenho. Os produtos que atendem aos requisitos podem ser incluídos em uma lista de referência utilizada por agências das Nações Unidas, organizações de compras, doadores e autoridades nacionais.

O que muda no programa da OMS

A expansão aumenta o número de categorias de tecnologias médicas que podem passar pela avaliação internacional da OMS. Entre os itens incluídos estão produtos relacionados à saúde sexual e reprodutiva, como preservativos e dispositivos intrauterinos, além de equipamentos utilizados em procedimentos de circuncisão masculina.

A pré-qualificação desses produtos era conduzida anteriormente pelo Fundo de População das Nações Unidas. Conforme informado pela OMS, essa atividade será transferida para o programa da organização, que também estabelecerá as próximas etapas de transição e avaliação. A medida concentra em uma mesma estrutura internacional a análise de dispositivos relevantes para prevenção de infecções, planejamento familiar e assistência em saúde.

Na prática, a lista de produtos pré-qualificados pode servir como apoio para processos de aquisição e decisões regulatórias, especialmente em países com capacidade limitada para avaliar individualmente todas as tecnologias disponíveis. O mecanismo também pode oferecer uma referência comum para governos, entidades de compras e instituições que financiam ou organizam a distribuição de produtos de saúde.

Inteligência artificial entra na triagem da tuberculose

Outro destaque da ampliação é a inclusão de softwares de detecção assistida por computador que utilizam inteligência artificial para analisar radiografias digitais do tórax. Essas ferramentas podem identificar pessoas com alterações que indiquem a necessidade de investigação adicional para tuberculose.

A tecnologia tem função de triagem e não substitui a confirmação diagnóstica. Quando o sistema aponta uma possível alteração, o paciente ainda precisa ser encaminhado para a avaliação clínica e os exames indicados pelos protocolos de saúde. O objetivo é ajudar a localizar mais rapidamente pessoas que podem necessitar de investigação, sobretudo em contextos com alta carga de tuberculose ou com acesso limitado a profissionais especializados.

O uso de softwares desse tipo pode apoiar estratégias de busca ativa e ampliar a capacidade dos serviços de saúde para analisar exames de imagem. No entanto, a utilidade clínica depende da qualidade das imagens, do desempenho do sistema avaliado e da integração da ferramenta ao fluxo de atendimento. A pré-qualificação internacional não elimina a necessidade de supervisão profissional nem substitui as regras adotadas por cada país.

Impactos para saúde sexual e reprodutiva

A inclusão de preservativos e dispositivos intrauterinos também tem relevância para políticas de saúde sexual e reprodutiva. Esses produtos podem contribuir para a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, o planejamento familiar e a redução de gestações não planejadas quando disponibilizados de forma segura e adequada.

Ao estabelecer critérios internacionais de qualidade, segurança e desempenho, a OMS busca facilitar a identificação de produtos que atendam a requisitos técnicos reconhecidos. Para gestores e organizações de compra, uma referência desse tipo pode simplificar a análise de opções e apoiar decisões em sistemas de saúde que não dispõem de estruturas regulatórias amplas.

Pré-qualificação não substitui a regulação nacional

A participação na lista de pré-qualificação da OMS não significa aprovação automática, autorização de comercialização ou incorporação do produto em todos os países. Cada autoridade regulatória nacional mantém suas próprias competências e pode exigir avaliações, registros e procedimentos adicionais antes que uma tecnologia seja utilizada ou adquirida em seu território.

O programa funciona, portanto, como um mecanismo internacional de avaliação e referência, e não como uma decisão única aplicável a todos os sistemas de saúde. Informações sobre a transição, as próximas etapas e a primeira rodada de avaliações estão disponíveis na página de pré-qualificação da OMS.

A ampliação combina duas frentes de interesse para a medicina contemporânea: o fortalecimento da avaliação de tecnologias essenciais e o uso de inteligência artificial em processos de triagem. Para profissionais, gestores e autoridades sanitárias, o principal desafio será transformar a disponibilidade dessas ferramentas em acesso seguro, avaliação adequada e encaminhamento oportuno dos pacientes.