O uso das chamadas canetas emagrecedoras cresceu de forma significativa nos últimos anos, impulsionado pela promessa de perda de peso eficaz e controle metabólico. Esses medicamentos possuem indicação clínica específica, principalmente para pessoas com obesidade e diabetes tipo 2. No entanto, a ampliação do uso trouxe questionamentos relevantes sobre segurança. Além da pancreatite, outros efeitos graves associados às canetas emagrecedoras vêm sendo observados na prática clínica. Ao longo deste artigo, serão analisados os principais riscos documentados, os impactos do uso sem acompanhamento médico e os cuidados necessários antes de iniciar o tratamento.
As canetas emagrecedoras utilizam, em geral, substâncias análogas ao GLP 1. Elas atuam na regulação da glicose e na redução do apetite. O mecanismo envolve o retardamento do esvaziamento gástrico e o aumento da sensação de saciedade, o que contribui para menor ingestão calórica e consequente perda de peso. Entretanto, essa atuação direta no sistema digestivo e metabólico pode provocar efeitos adversos relevantes.
A pancreatite está entre as complicações descritas. Trata-se de uma inflamação do pâncreas que pode causar dor abdominal intensa, náuseas e vômitos. Em quadros mais graves, pode haver necessidade de internação hospitalar. Embora seja considerada incomum, a possibilidade de inflamação pancreática exige monitoramento, especialmente em pacientes com histórico de alterações pancreáticas ou biliares.
Além da pancreatite, efeitos gastrointestinais importantes são frequentemente relatados. Náuseas, vômitos, diarreia e constipação podem ocorrer, sobretudo no início do tratamento ou durante ajustes de dose. Em alguns casos, há registro de gastroparesia, condição caracterizada pela lentidão no esvaziamento do estômago. Esse quadro pode causar sensação prolongada de estufamento, desconforto abdominal e dificuldade alimentar.
Outro ponto relevante envolve a vesícula biliar. A perda de peso acelerada está associada ao aumento do risco de formação de cálculos biliares. O desenvolvimento desses cálculos pode levar a inflamações, dor abdominal intensa e, eventualmente, necessidade de intervenção cirúrgica. O acompanhamento médico permite identificar sinais precoces e reduzir complicações.
Alterações metabólicas também devem ser consideradas. Como esses medicamentos influenciam a glicemia, existe risco de hipoglicemia, especialmente quando utilizados em conjunto com outros fármacos para diabetes. Sintomas como sudorese, tontura, fraqueza e confusão mental podem indicar queda nos níveis de glicose e demandam avaliação imediata.
Há ainda registros de possíveis alterações na tireoide, incluindo aumento do risco de tumores em estudos experimentais com animais. Por esse motivo, esses medicamentos não são recomendados para pessoas com histórico pessoal ou familiar de determinados tipos de câncer de tireoide, conforme orientações presentes nas bulas.
O uso sem prescrição médica representa um fator de risco adicional. A administração inadequada de doses, a ausência de avaliação clínica prévia e a falta de acompanhamento reduzem a capacidade de identificar reações adversas precocemente. A supervisão profissional permite ajustes de dose, solicitação de exames e orientação sobre sinais de alerta.
É importante destacar que medicamentos para tratamento da obesidade possuem respaldo científico quando indicados de forma adequada. A obesidade é reconhecida como doença crônica e pode exigir intervenção farmacológica associada a mudanças no estilo de vida. Entretanto, a medicação não substitui alimentação equilibrada e prática regular de atividade física, que continuam sendo pilares do tratamento.
Outro aspecto relevante é a possibilidade de reganho de peso após a interrupção do medicamento. A manutenção dos resultados depende da continuidade de hábitos saudáveis e acompanhamento clínico. A retirada deve ocorrer de maneira orientada, considerando as condições individuais de cada paciente.
O debate sobre canetas emagrecedoras exige abordagem técnica e responsável. A existência de benefícios terapêuticos não elimina a necessidade de avaliar riscos e contraindicações. A decisão pelo uso deve considerar histórico médico, exames laboratoriais e análise criteriosa dos potenciais efeitos adversos.
A preservação da saúde deve orientar qualquer estratégia de emagrecimento. Informação qualificada, acompanhamento profissional e avaliação individual são elementos essenciais para reduzir complicações e garantir maior segurança no tratamento.
Autor: Igor Blinov

