Atenção aos sinais: o câncer de mama não tem idade

Clara Vossen
Por Clara Vossen
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Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues

Observa-se, no Brasil, uma tendência de maior atenção ao câncer de mama em mulheres jovens, e Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, médico radiologista, descreve as particularidades do diagnóstico em uma faixa etária na qual a mamografia de rastreamento não é a principal ferramenta. Dados do Ministério da Saúde indicam que, em 2022, mulheres de 30 a 39 anos responderam por 8,6% dos casos novos da doença registrados no país. A proporção é menor do que nas faixas mais velhas, mas os tumores nessa idade tendem a apresentar comportamento biológico mais agressivo e, com frequência, demoram a ser reconhecidos.

Por que o rastreamento não começa mais cedo?

A recomendação de rastreamento populacional se baseia no equilíbrio entre benefícios e efeitos indesejados. Abaixo dos 40 anos, a incidência é baixa, e as mamas costumam ser mais densas, o que reduz a sensibilidade da mamografia e aumenta a chance de resultados falso-positivos. Convocar milhões de mulheres jovens sem sintomas geraria muitas investigações desnecessárias para um número pequeno de diagnósticos. Por essa razão, as diretrizes nacionais e internacionais reservam o rastreamento sistemático para faixas etárias mais altas ou para grupos de risco elevado.

Na percepção de Vinicius Rodrigues, a ausência de rastreamento de rotina não pode ser confundida com ausência de cuidado. Para as mulheres jovens, a estratégia passa a ser o diagnóstico oportuno, que depende de reconhecer sinais de alerta e investigá-los sem demora. O desafio está no fato de que nem a paciente nem parte dos profissionais costumam considerar a hipótese de câncer nessa idade. Um nódulo atribuído ao ciclo menstrual ou à amamentação pode passar meses sem avaliação adequada, tempo suficiente para que a doença avance.

Sinais que pedem investigação

Entre as alterações que merecem avaliação estão o nódulo endurecido e indolor, a retração da pele ou do mamilo, a secreção mamilar com sangue, o aspecto de casca de laranja na pele e o aumento de linfonodos na axila. O Dr. Vinicius Rodrigues diferencia os achados mais comuns e geralmente benignos nessa idade, como fibroadenomas, cistos e alterações ligadas às variações hormonais, daqueles que exigem conduta imediata. A persistência de uma alteração por mais de um ciclo menstrual também é um critério relevante para buscar atendimento.

No caso das mulheres jovens, a ultrassonografia costuma ser o primeiro exame de imagem diante de um nódulo palpável, por oferecer boa resolução em mamas densas e não utilizar radiação. A mamografia entra como complemento quando há suspeita, especialmente para avaliar calcificações. Se a imagem indicar achado suspeito, a biópsia guiada por ultrassonografia permite confirmar ou descartar o diagnóstico com rapidez. A agilidade entre a primeira consulta e o resultado histológico é decisiva, já que muitos desses tumores crescem em ritmo acelerado.

Risco hereditário e decisões que vão além do tratamento

Uma parcela dos casos em mulheres jovens está associada a mutações hereditárias, como as dos genes BRCA1 e BRCA2. Histórico familiar com diagnósticos antes dos 50 anos, câncer de ovário ou câncer de mama masculino são sinais que justificam aconselhamento genético. Para portadoras de mutação, protocolos internacionais preveem acompanhamento com ressonância magnética a partir dos 25 a 30 anos, associado posteriormente à mamografia, o que muda completamente a lógica de vigilância.

O diagnóstico nessa fase da vida também envolve questões que raramente aparecem nas campanhas. A preservação da fertilidade antes da quimioterapia, o câncer associado à gestação e a investigação de alterações durante a lactação exigem coordenação entre radiologistas, mastologistas, oncologistas e especialistas em reprodução. Um percurso bem planejado, conforme sustenta Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, depende de que o primeiro exame de imagem seja realizado e interpretado com a mesma atenção dedicada às mulheres mais velhas.