ID CTVM explica a sequência de cálculo que permite apurar, no mesmo fechamento, cotas de classes e subclasses diferentes dentro de um único fundo
A possibilidade de reunir várias classes de cotas com patrimônios segregados em um mesmo fundo, aberta pela Resolução CVM 175, transformou o fechamento diário da cota em um processo com várias camadas, e a ID CTVM estruturou sua controladoria para executar essa apuração dentro de seu ecossistema tecnológico proprietário. Em uma carteira de mais de 550 fundos como a da ID CTVM, um único fechamento pode envolver a apuração de cotas de classes com carteiras distintas e de subclasses com taxas e direitos próprios, todas calculadas a partir das mesmas posições conciliadas no dia. Para Rodrigo Balassiano, diretor da instituição, o desafio não está em calcular uma cota, mas em calcular muitas ao mesmo tempo sem que o resultado de uma interfira no da outra.
Uma estrutura em três níveis
Para a controladoria, o fundo multiclasse funciona como uma estrutura em três níveis. No primeiro está o fundo, com o regulamento e as despesas comuns. No segundo estão as classes, cada uma com sua própria carteira, sua política de investimento e seu patrimônio separado. No terceiro estão as subclasses, que compartilham a carteira da classe, mas podem ter público-alvo, prazos e taxas diferentes.
Cada nível tem regras próprias de cálculo, e o sistema precisa saber a qual deles pertence cada ativo, cada despesa e cada movimentação. Um título comprado para a carteira de uma classe não pode aparecer no patrimônio de outra. Uma taxa que incide sobre uma subclasse não pode reduzir o valor da cota de sua vizinha.
A ordem do cálculo
O fechamento segue uma sequência. Primeiro, as posições de cada classe são conferidas com a custódia e com os registros mantidos na B3 e na Cerc. Em seguida, os ativos são precificados conforme a metodologia prevista para cada classe, o que pode significar critérios diferentes em uma mesma estrutura.
Depois vêm as receitas e as despesas. Despesas exclusivas de uma classe são lançadas diretamente nela. Despesas comuns, como parte dos custos de auditoria ou de taxas regulatórias do fundo, precisam ser rateadas segundo o critério definido no regulamento. Rodrigo Balassiano explica que, quando o critério de rateio está parametrizado a partir do regulamento, ele pode ser aplicado de forma automática a cada fechamento, o que evita que a divisão dependa de planilhas paralelas.
Só então se chega ao patrimônio de cada classe e, dentro dela, ao valor de cada subclasse, que considera as taxas e condições específicas daquele grupo de cotistas.
Subclasses: mesma carteira, cotas diferentes
O tratamento das subclasses é o ponto mais delicado. Como elas compartilham a carteira da classe, o resultado dos ativos é o mesmo para todas. O que muda é o que incide sobre cada uma. Uma subclasse com taxa de administração menor, destinada a investidores profissionais, terá cota com valor diferente de outra, voltada ao público em geral, ainda que ambas acompanhem os mesmos ativos.
Para que esse cálculo seja correto, a controladoria precisa atribuir a cada subclasse a sua fração do patrimônio da classe antes de aplicar as taxas próprias. Rodrigo Balassiano observa que um erro nessa atribuição, ainda que pequeno, se acumula dia após dia e distorce a comparação entre as subclasses, o que é especialmente sensível quando uma delas tem cotistas de varejo.
Eventos que mexem com mais de uma camada
Alguns eventos afetam várias camadas ao mesmo tempo. Uma amortização de uma classe de FIDC, por exemplo, reduz o patrimônio daquela classe e precisa ser distribuída entre suas subclasses conforme a ordem de prioridade prevista. Uma nova emissão de cotas em uma subclasse altera a proporção entre ela e as demais dentro da mesma classe.
Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, descreve o critério que orienta o desenho dessa rotina:
“No fundo multiclasse, cada número do fechamento precisa ter endereço. Todo ativo, toda despesa e todo pagamento têm que estar ligados a uma classe ou a uma subclasse antes de entrar no cálculo. Quando o sistema exige esse endereço desde o lançamento, a segregação deixa de depender de alguém conferir no fim do dia. Ela passa a ser uma consequência da forma como a informação foi registrada”, afirma o executivo.
Conferências automáticas antes da divulgação
Antes da divulgação das cotas, entram as verificações de consistência. A soma dos patrimônios das classes precisa corresponder ao patrimônio total do fundo. A soma das frações das subclasses precisa corresponder ao patrimônio da classe. Variações de cota fora do padrão histórico são sinalizadas para análise da equipe.
Essas conferências não substituem a revisão humana, mas direcionam a atenção para onde ela é necessária. Na avaliação de Rodrigo Balassiano, é esse modelo que permite manter a precisão quando o número de classes e subclasses cresce, sem que o tempo de fechamento aumente na mesma proporção.
A mesma informação nos portais
As cotas apuradas alimentam os demais ambientes da instituição. Tanto o ambiente usado pelas gestoras quanto o destinado aos consultores apresentam a mesma estrutura de classes e subclasses usada pela controladoria. Os dados também ficam disponíveis por meio das APIs abertas do Portal do Desenvolvedor, para integração com os sistemas das gestoras.
Com isso, a gestora, o consultor e a administradora enxergam o fundo pela mesma lente. Para estruturas com várias classes, essa coerência reduz o risco de que decisões sejam tomadas com base em números que não correspondem ao que foi efetivamente apurado no fechamento.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

